PROPRIEDADE INTELECTUAL

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sábado, 5 de dezembro de 2009

MORRO BINDA, CEMITÉRIO ETERNO

A circulação rodoviária entre Dondo e Ndalatando ao longo da Estrada Nacional nº230, não é fácil de ser feita, pois a poucos km da cidade de Ndalatando, capital da província do Kwanza Norte, localiza-se o tão conhecido morro do Binda.

Não sei a quanto tempo o Binda arrasta para a morte centenas de pessoas anualmente, mas lembro-me que desde criança, tenho ouvido relatos tristes de acidentes fatais, envolvendo sobretudo camiões de transporte de cargas líquidas e sólidas, quer os que circulam no sentido ascendente como no sentido oposto.

A polícia no Kwanza Norte, viu-se obrigada a instalar um posto de fiscalização no baixo Binda, ou seja, poucos quilómetros antes do começo do morro, com objectivo de sensibilizar os automobilistas para adopção de medidas cautelares durante a condução. Apesar de algumas vantagens, a polícia nem sempre consegue impedir o rio de sangue cuja nascente começa pelo Binda, atingindo várias pessoas, desde crianças, mulheres, idosos e inclusive de todas as raças.

Há quem diga que uma espécie de sereia que habita o Binda, tem vindo a chorar quando não recebe qualquer presente, constatando-se em consequência de tais choros aumento de sinistros sangrentos envolvendos viaturas.

A memória me faz lembrar alguns anos em que o Governo do Kwanza Norte programava rituais sobre o Binda, onde eram levadas autoridades tradicionais e gentes de vários extractos sociais, incluindo entidades religiosas. Durante tais rituais, ofereciam-se bebidas alcoólicas, com realce o vinho, pão e outros alimentos, supostamente em benefício da mãe natureza, para que esta pudesse então aliviar os nervos que faziam capotar ou despistar os veículos.

Há quem diga ainda que no Binda, existe uma espécie de minério não bem identificado e que faz interferência ao funcionamento normal dos motores de veículos, retirando-lhes não raras vezes a força, razão pela qual originam os acidentes.

Ora bem, apesar de tudo isso, não seria demais recordar que muitas viaturas que circulam sobre o Binda não se apresentam em bom estado técnico, existindo tantas outras que embora novas, excedem no transporte de carga, para além da negligência quanto a sua manutenção.

Não seria demais também recordar que a maioria dos acidentes que Binda já registou, foi causado por condução em estado de embriagues, desconhecimento das normas de trânsito e obstáculos ao longo do perímetro.

Portanto, em vésperas de mais um Natal e posterior passagem de ano, espero que passem todos com muita cautela pelo Binda, pois, ao contrário, não passaremos para o 2010.

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